Um lugar para os que são, os que ainda não são e os que não vão chegar a ser, conversarem e trocarem experiências.

Thursday, May 31, 2007

Aloka!!!



OK.
Eu já tinha sim as minhas dúvidas, mas só tive certeza mesmo quando eu voltei pro carro e peguei o celular que tinha deixado lá. E tinham ONZE ligações!

Era verdade. A atração virou fatal.
Como disse, já tinha notado alguma coisa diferente no começo, uns estresses, umas explosões sem sentido. Mas, como dizem naquela propaganda do carro que sempre esqueço: “tudo bem!”
Bem, assustado com a exurrada de ligações, entrei em contato no domingo muito cedo. As palavras faladas me assustaram ainda mais. Apesar de a gente se conhecer mais intimamente há apenas um par de semanas, fui cobrado como uma mulher que deixa o lar pra ficar com o amante. Angústias, dramas, e finalmente, ameaças.
Exatamente. Ameaças. Desde surras até o misterioso “isso não vai ficar assim.”
Tá, querido, mas...isso o quê? E assim como? Descasquei também procurando ser o mais firme possível.
“Amigo, amigo! Junto! Calma. Quer uma caixa de giz de cera? Travesseiro pra ficar batendo a cabeça na parede?”
Desliguei então, meio sem acreditar e já programando uma visita à casa de Pai Xangô e Mãe Jurema. Se eles liberam a gente até de alcoolismo, por que não de psicopatas?
Bem, se passaram alguns dias e ainda estou vivo. Quem sabe ele desistiu, não, é?
Ou não.
Mas nisso tudo o que mais me aflige foram....os DVDs que eu emprestei!!Hâin!
Ah, mas quer saber? Saúde mental não tem preço! Principalmente se for a minha.
Pode ficar, querido, vende os filminhos, compra uma caixinha de Haldol e toma todinha. Com champagne.
Momento utilidade pública, e púbica: cuidado com quem se envolvem, amiguinhos. Por caridade! Suspeitou de algo? Viu algo meio diferente, nem que sejam meias de cada cor? Suma! Desapareça. Doido é igual a bicho selvagem, nunca se sabe!
Ficou na dúvida afinal das contas? Fale com quem sabe. Não namore sem o atestado de sanidade mental.
E olha, vale pra você também, tá?

P.S. - Caso você tenha menos de 25 anos, a fotinha aí em cima é do filme "Atração Fatal". Glen Close, tudo como sempre, Michael Douglas ainda bonito, contando a minha história.

Wednesday, May 16, 2007

Quem avisa...


Faróis apagados. Dentro do carro. Rua dele. Meio deserta.
- Você não vai querer me conhecer.
- Por quê?
-Eu sou um desastre! Um desastre neurótico!
- Hein?
- É. Quer dizer, sou!
- Ah,todos somos.
- Nem todos.
- Quer apostar?
- E se não der certo?
- Um beijo e tchau.
- Aff, e você é frio assim? É isso que você chama de relacionamento? É assim que você quer
me...Tá rindo de quê?
- O.K. Você é neurótico.
- Não tem graça. Eu só não...
- “...tenho certeza se isso vai dar certo.” Nem eu! A gente vai precisar meter a cara.
- E se não der?
- Sobreviveremos.
Pausa dramática
- É muito cedo pra sentir sua falta?
Ele sorriu.
- Não.
- Que bom, porque eu pensei em você o dia todo.
- Pensou?
- Pensei.
- O que a gente tem?
- Eu tive dengue esses dias.
- Palhaço. Não foge da pergunta.
- A gente tá se conhecendo...
- Evasivo...Perigo! Perigo!
- Sincero. Juro. A gente tá se desbravando, vamos dizer assim, pelo menos no meu caso.
- Que coisa mais bandeirante!
- Mas eu senti sua falta hoje. Não de uma companhia. Da sua companhia.
Ele ficava ainda mais fofo quando apertava os olhos, sorrindo, meio Maurício Mattar. Aquela era uma das minhas manias. Associar pessoas bonitas a artistas. Se bem que Maurício Mattar não é tão artista assim, não é, amiguinhos?
- Que bom.
- É.
- David...
- Oi?
- A hora.
- Onze e...cacilda!!!
- Pois é.
- Mas como assim? Eram seis agorinha!
As pessoas interessantes se alimentam de tempo, é impressionante.
Me despedi dele sentindo uma quenturazinha gostosa no peito. Um sorriso meio lesado escorrendo pela boca.
Será?
O meu carro ainda não tem som, mas eu peguei a BR de volta ouvindo, de algum lugar, juro, uma canção de uma peça/filme* que eu adoro.
Trusting desire, starting to learn
O sorriso já tomava toda a boca
Walking through fire without a burn
Será mesmo?
Clinging - A shoulder a leap begins
Stinging and older, asleep on pins

E engatei a quinta, correndo feito doido, com uma alegria de criança em véspera de Natal.
Ninguém pode me acusar de nada, eu avisei que sou um desastre! E ainda assim ele decidiu pegar na minha mão.
E isso é bom, né?
So here we go
Now we
Go.


*Gente, a música chama-se I should tell you, e faz parte da trilha do fabuloso musical RENT, peça da Broadway que estourou nos EUA, virou filme e foi até montado do lado de baixo do Equador um tempo desses. Curioso? Saca, então:http://www.youtube.com/watch?v=yqN-xNUcJpQ

Thursday, May 10, 2007

Desmame*



- Filho da puta!!!
- David, calma!
- Calma um...
Ia começar a gritar, mas entrou um velhinho no banheiro e ficou me olhando com a cara que meu pai fazia quando via Cássia Eller na TV.
- Cara-de-pau!
- David!
Eu sei que ele tentava me acalmar, mas aquele jeito de ficar repetindo sem parar meu nome tava me dando nos nervos.
- Como é que ele faz isso, rapaz? Arrumar outro assim em segundos! Nem esperou o defunto esfriar!
- David, olha pra mim!
- Por quê? Você vai me hipnotizar?
- Vocês terminaram quando mesmo? Me relembra, por favor.
- Faz três...
- Três o quê, David? Dias?Semanas?
- Ah, cara, meses! Faz três meses que a gente acabou!
Odeio perder a razão em uma discussão. Manobra de emergência.
- E você parece que nem meu amigo é com esse papo!
- Não apela, fofo. Claro que sou. Tanto sou que nem sempre concordo contigo.
- Sabe que eu odeio essas suas tiradas à la mestre dos magos, né?
- Sei.
- Porra, mas fala a verdade, bem que podia ter arrumado um mais bonitinho, né?
- David...
- Sério! O pobre coitado é feio demais! E...gordo...e bicha! Cara, se ele gostava de mulher era melhor ficar com uma, né?
- Ah, mas ele não é tão...
Êpa lê lê! Tudo bem que amigos não precisam concordar em tudo. Mas certas coisas são sagradas.
- O.K. Ele é feio. E gordo. – disse meu amigo, sendo amigo!
- E bicha!
- Tá bom, e bicha.
- Você nem sabe como meu falecido pôde se rebaixar tanto, né?
-Sei não, amigo.
-Você nunca vai ser amigo desse estepe, né?
- Nunca vou. Nunca na vida.
- Promete?
- Humrum.
- Nada de humrum, ô filhos do silêncio, prometa!
Ai, meu Deus, a gente fica tão sessão da tarde quando bebe.
- “Eu nunca vou ser amigo da gorda bicha e feia que seu falecido está namorando agora”. – falou ele com a mão no peito e três dedinhos em riste no melhor estilo escoteiro.
- Assim tá melhor – disse eu, vingado.
- Vamos voltar pra festa?
- Num sei, esse tum-tss-tum tá me dando é dor de cabeça já.
- Em mim também.
Olhamos no espelho com uma sincronia de fazer inveja à seleção de revezamento.
- Amigo.
- Diz.
-Será que a gente tá ficando velho? – Isso foi ele que perguntou.
- Com fé em Deus.
Instintivamente, esticamos bem de leve a pele ao redor dos olhos. Ainda bem que não entrou ninguém.
- Sério?
- É. Meu sonho é ficar bem velhinho, com o peito todo branquinho, branquinho.
- Agora danou-se, é um urso polar?
- Grawww!
Qual o barulho que faz um urso polar?
- Bem, ou a gente vai ou fica, o que não dar é passar a noite toda com esse complexo de madrasta da Branca de Neve em frente a esse espelho!
- “Espelho, espelho meu...”
- “Existe alguém mais biba do que David?”
- Morra!
Ele só riu.
-Ok, Baby Jane. Casa?
- Casa!
Quer dizer...
- Eita! E o seu loirinho e o meu ruivinho?
- Tinha esquecido. Plano M então?
- M?
- Motel.
- Tá. Mas quem vai na mala hoje é você, viu?
- Preconceito, só porque sou o menor.
E saímos meio sorrindo, meio abraçados, em busca dos amores das nossas vidas. Daquela noite.


*Do latim, “desmamus”, deixar de mamar. Limbo pelo qual passamos todos nós após terminar um namoro velho e antes de começar um namoro novo. Pode durar minutos, ou não acabar nunca.


Friday, May 04, 2007

Se joga!



É. Confesso. A-d-o-r-o mulher bagaça.
Por mais empolgação que eu sinta ao ver a Bündchen desfilando para a Victoria´s Secret, nada, nada, se compara ao prazer de ver uma diva se esculachando depois de tomar (ou cheirar) algumas doses a mais.
Eu tinha só oito anos, mas já enlouquecia ao ver Heleninha Roitman enrolando a língua e tropeçando nos tapetes. Algum tempo depois Luana Piovani me encantou falando todos os palavrões do mundo sem medo de ser feliz, passando chifre a torto e a direito e descendo o cacete no paparazzi que a perseguiu, enquanto Vera Fischer se destruia nas boates gays. Naomi! Como esquecer Naomi Campbell há pouco tempo indo cumprir a sua pena de serviços comunitários usando um casaco de peles fabuloso? A ex-miss do Big Brother (qual o nome dela mesmo?)! Quase um metro e oitenta de mulher moooorta de embriagada, arrotando! Pra falar a verdade o BBB tem sido um viveiro sem fim para a observação das bagaças. Nem que eu viva trezentos mil anos, nunca vou me esquecer de Grazi despejando garganta abaixo, diretamente do “gargalo”, uma lata de leite condensado. Só faltou a legenda: “Foda-se! Sou uma diva!”. Gordinhas de plantão, estrebuchai!
De uns tempos pra cá, porém, as minhas preferências andavam meio órfãs. Perdidas entre ajuda às crianças fanhas da Indonésia, à proteção do meio ambiente e ao casamento sem swing, andavam as divas. Lindas, insípidas, e absolutamente chatas, ousavam até tons pastéis na noite do Oscar, vejam que pecado!
Mas Londres ouviu meu clamor, e o mundo da música, celeiro das maiores divas, ou da maior delas (preciso nem falar, né?), produziu uma cantorinha de vinte e três anos, cabelos negros, magra, tatuada, com feições árabes, e como não poderia deixar de ser, maravilhosamente alcoólatra!
Senhoras e senhores: Amy Winehouse! A pessoa com um sobrenome assim, não poderia cantar em coro de igreja, não é mesmo? Mas a mocinha (cof cof) não se contentou apenas com o sobrenome. Passando por cima de toda a frescurada do show business, Amy tem pisado firme (com belíssimos saltos, diga-se de passagem) em cima de velhos parâmetros.
Agora imaginem a minha alegria ao ouvir dos seus lábios um refrão que diz: “Eles tentam me fazer ir à reabilitação, mas eu digo não, não, não!”. Por muito pouco não ergui um altar em meu quarto, com direito a oferenda de cana e tudo!
Nas minhas buscas pelo youtube, encontrei um show ao vivo com a chata da Charlote Church. Lembra não? Aquela menininha da abertura de Terra Nostra. Ela cresceu. Também pros lados, e muito! É simplesmente impagável a cara da pobre coitada dividindo os microfones com Amy, num cover de Beat It, Michael Jackson. Charlote, constragida até a última celulite, é simplesmente massacrada pela voz da nossa “winewoman”, que de tão bêbada, não consegue nem cantar a letra direito.
A mais recente da moça foi o cancelamento de dois grandes shows em Londres. A explicação veio depois: “Tomei um porre, caí e quebrei um dente da frente. Tinha um buraco enorme na minha boca”, disse ela à revista Rolling Stones. Ah, mulheres!
É por isso que eu digo: não que a gente vá viver de beber todas, mas enfiar de vez em quando o pezinho descalço na jaca, porque você perdeu o sapato em algum lugar, não tem preço! E daí que alguém tá olhando? Fecha os olhinhos, reza pra Campell e diz o mantra: “Foda-se. Sou uma diva!”.
E sobe a música!

Wednesday, May 02, 2007

Privilégio dos que tentam

Sábado à noite. Em companhia daquela quase cerveja, curtindo a minha nova vida de solteiro. Depois de três anos juntos você meio que se esquece como paquerar. Mas nada como algumas latinhas pra reaprender, noé?
- Tudo bem? – pergunto ao carinha bem gracinha dançando sem camisa e de cueca quase toda de fora. Branca.Nham nham.
-Oi. – responde ele com uma expressão meio Paris Hilton.
- Tá sozinho?
- E vou continuar.
Ui!
- E vai mesmo, meu filho. Você com essa cara de acidente de trem na Índia...Só perguntei porque sou fiscal do IBAMA, tá? Queria saber se você já foi catalogado, ô tracajá-bandeira do papo amarelo!
Saí pela direita, deixando o espécime meio sem ação. Ele nem era lá essas coisas mesmo. E eu nunca soube perder.
Mais uma chance?
- Oi.
- Oi – responde o gatinho que parece estar ali só em corpo.
- Er...Legal aqui, né?
- É.
-Tá sozinho?
- Não. Dá licença? Eu vou ali pegar uma cerveja.
- Mas tem cerveja aqui não, rapaz, só nova schin!
Eu gritei, mas ele já tinha ido embora, abrindo caminho pela multidão. Não se pode ganhar todas, né?
- Esse seu amigo é muito complicado – digo ao rapazinho que estava andando com ele.
- É meu namorado.
O.K...
- Bem...O seu namorado é muito complicado!

Falei com a cara-de-pau mais perobada do mundo. Tá no inferno? Se abrace com o cão!! E se ele for gostosinho melhor...Epa, peraí. Aquele branquinho ali, ó, caro público. Aquele branquinho olha pra mim! Será que conheço de algum lugar? Claro! Claro que sim. Anda fuçando meu orkut. Percebo que ele sai da boate “me convidando pra dançar sem sair do lugar”, como diria a filha maravilhosa (e meio fanha) da segunda maior cantora do Brasil. Depois de Bethânia, claro.
Vamos pra uma melhor de três?
Lá fora está mais ventilado. Percebo o moço sentado numa cadeira com olhos firmes nos meus. Sento ao seu lado.
- Oi.
É tudo que digo, desta vez não vou me arriscar com a boca. Só com a língua.
E a noite rende. Rende. Muito.
Deitado na caminha do gatinho que mora só (vejam que coisa mais queer as folk!) sorrio um pouco ao lembrar a frase de um amigo: o fora é privilégio dos que tentam. O negócio é se jogar!
Passo as mãos de leve em suas costas lisas. E ele acorda. Ainda sorrindo.
Falem a verdade:vocês também não adoram sexo pela manhã?